Você sabia que a cada 11 minutos um pecuarista de leite brasileiro deixa a atividade por falta de investimento em tecnologia e problemas na sucessão familiar?
Este foi o alerta feito pelo economista, mestre e doutor em economia aplicada Paulo Martins, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite nesta segunda-feira (12) durante envento de promoção do projeto Ideas for Milk, idealizado pela própria entidade para promover desafios entre empresas do setor para descobrir quais as novidades que podem trazer mais impactos positivos para a produtividade da bovinocultura leiteira. Na iniciativa, uma série de encontros ocorrerão ao longo de novembro.
“Está ocorrendo uma transformação silenciosa e radical na pecuária brasileira”, afirmou Martins, que disse perceber a entrada na atividade de novos produtores com visão diferente de uma realidade passada, com visão mais empresarial. “A primeira grande mudança é que estão se separando os produtores com visão empresarial daqueles que não têm”, acrescentou.
Esta visão direciona o pecuarista para uma produção que leva em consideração bem-estar animal, que tem potencial para aumentar a produtividade em até 40%, conforme ressaltou Martins, controle de resíduos, sanidade animal, uso de genômica para melhoramento genético do rebanho e, permeando estas preocupações, uso de tecnologia.
Em contrapartida, o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite alertou que o mercado está, cada vez mais, penalizando os produtores que deixam a tecnologia para fora da porteira. “No leite, a cada dez anos, quando a gente compara o Censo (Agropecuário), nós estamos deixando 25% dos produtores fora (da atividade). Um a cada onze minutos. Então durante a nossa entrevista aqui, nós vamos perder dois produtores”, lamentou Martins.
“Uma parte é porque tem problema de sucessão familiar, que acontece de maneira geral. […] Tem uma outra parte, aí uma parte grande, que é questão de não acompanhar a tecnologia”, esclareceu.
No último mês de agosto, o consultor Francisco Vila já havia demonstrado a mesma preocupação para os pecuaristas de corte. Segundo o profissional, ao menos quatro em cada dez pecuaristas brasileiros correm o risco de sair de sua atividade dentro dos próximos 20 anos – e por motivos similares.
“Os 40% estão errando porque estão aplicando a velha hipótese de que aquilo que estava bom no passado será bom no futuro, em time que vence não se mexe. Este realmente não é o modelo certo. Já os outros 60% entenderam, observaram as adaptações, os sinais dos tempos de que tudo está mudando o tempo todo”, declarou.