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QUEDA DE BRAÇO

´É uma irresponsabilidade da Conab os números apresentados como estoque de café conilon`, diz deputado

Para o deputado Evair de Melo, o estoque de café conilon é superior a 4 milhões e meio de sacas

Por: CliC101 | Idalício Viana / Notícias Agrícolas
Publicado em 14/01/2017 11:35

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Uma verdadeira queda de braço está sendo travada entre a indústria do café solúvel e os segmentos do setor produtivo do café conilon, com o deputado federal Evair Vieira de Melo (PV-ES) taxando como “irresponsabilidade e equívoco metodológico” a sistemática adotada pela Conab para levantamento do estoque atual de café conilon no país, tendo a companhia chegado ao número pré-anunciado de 1 milhão e meio a 1 milhão e 700 mil sacas de café nos estados da Bahia, Espírito Santo e Rondônia.

 

Segundo o deputado, a metodologia aplicada pela Conab não tem capacidade de identificar todo o café disponível no mercado, alerta que já teria sido feito apontando que o caminho escolhido pelo órgão iria mostrar um número equivocado, porque trabalharia só com alguns armazéns credenciados, quando precisaria fazer um grande pente fino no Espírito Santo, tendo a Conab se mostrado incompetente para fazer o pente fino, decidindo por aplicar o método convencional.

 Foto: Câmara dos Deputados

Em depoimento ao Notícias Agrícolas, o deputado Evair de Melo denuncia: “Esse é um número catastrófico, irresponsável, que não se sustenta por um série de inverdades. O pré-anúncio é uma irresponsabilidade, antecipa a especulação, é uma demonstração clara de que realmente tem uma grande corporação para destruir a cafeicultura brasileira. Quem está afirmando os números de 1 milhão e meio , 1 milhão e 700 mil, não consegue provar isso porque não está rastreando as propriedades rurais, não está indo nos comerciantes locais, não está indo dentro das indústrias, que têm café estocado.”

 

E continua o deputado: “Hoje existe uma má vontade da indústria em remunerar o agricultor por aquilo que ele precisa e merece. Tem oferta, produtores do sul da Bahia estão fazendo negócios nesse momento com café conilon. Não tem indústria no mercado comprando, é mentira. A Conab nesse momento presta um desserviço à cafeicultura brasileira, ao Brasil. Há uma grande estrutura para desmontar o mercado brasileiro. Querem abrir o mercado e ficar nas mãos de grandes Trades.”

 

Alerta

“Tem muitas lideranças do setor de café arábica que estão sendo coniventes com a intenção de importação, assistindo de camarote, achando que não vai ter impacto no café arábica. Se perdermos essa batalha, logo logo o problema vai chegar no setor de café arábica”, diz o deputado.

 

Desafio

“Queremos a verdade, a transparência, convido quaisquer dirigentes da indústria que duvidarem dos nossos números a entrar no meu carro, andar pelo Espírito Santo, vou levar a propriedades, vou levar a cooperativas pequenas, vou levar onde a Conab não levou, pra mostrar que existe café. Já virou uma questão de Estado, de política nacional, o governador Paulo Hartung já acionou o presidente Temer, vamos defender o Brasil dessas multinacionais que simplesmente querem operar no mercado global com bolsas, massacrando o agricultor, impactando negativamente a economia. Não vamos aceitar, vamos brigar e muito. As grandes Trades têm 1 milhão de sacas de conilon brasileiro no mercado Europeu, compraram barato e exportaram, e agora querem operar no mercado interno fazendo o fluxo reverso trazendo café de outras origens, além do risco sanitário não só para a cafeicultura, mas com outras pragas e outras doenças, comprometendo por completo a agricultura brasileira.”

 Foto: CCCMG

Estoque disponível

Segundo Evair de Melo, existem disponíveis para comercialização 500 mil sacas no sul da Bahia, 200 mil em Rondônia e pouco mais de 3,7 milhões no Espírito Santo, chegando ao número de 4,5 milhões de sacas de café conilon nas propriedades, nos compradores locais, nos armazéns, nas cooperativas e nas empresas, não estando aí incluídos os cafés estocados nas indústrias, nem os cafés já vendidos. Disse também que a indústria tem estoque físico até junho/julho, que não há justificativa alguma para falta de café, e que a partir de abril já tem oferta abundante de conilon no mercado.

 

“Esse número pré-anunciado pela Conab é uma vergonha, só interessa ao mercado especulativo. Aqueles que querem o lucro fácil às custas do produtor rural estão comemorando. Que feche a indústria, mas não vamos aceitar que fechem as propriedades rurais. O produtor sobreviveu com preços baixos, vendendo café a 18 dólares. A indústria tem que dividir o lucro com o produtor rural”, destacou o deputado.

 

Uma rodada de negociação está agendada para a próxima terça-feira (17) no Ministério da Agricultura, e segundo Evair, o setor produtivo não vai aceitar que meia dúzia de pessoas sustentem o discurso contra milhares de brasileiros sobre o que o Brasil tem que decidir. “Se o Brasil quer continuar sendo importante no café, se o café continuar a ser importante para o Brasil, nós vamos resolver na técnica e na política, porque o café para o Brasil, mais que uma atividade econômica, é uma atividade social importante, com impacto na política econômica e social de mais de 1500 municípios que têm na cafeicultura sua principal fonte de renda, e o governo vai ter que se posicionar firmemente a favor do setor produtivo. Espero que lideranças políticas que estão omissas possam se posicionar com clareza e com firmeza, dando tranquilidade ao setor produtivo nacional. As formas como a indústria está debatendo nos últimos dias, com ofensas pessoais e morais ao setor produtivo, é uma irresponsabilidade. Espero desmascarar o grande número de pessoas que estão trabalhando no segmento só em busca de lucro fácil e em hipótese alguma pensando no produtor rural”, finaliza o deputado Evair Vieira de Melo.








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