Publicidade
0
ECONOMIA

Preocupante ou aterrador?

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo
Compartilhe:
Por: Jornal Folha Noroeste | José Renato Nalini | Pub.: 20/09/2026 10:10 | Atual.:20/09/2026 10:32
Tags: economia
Publicidade

Em recente apresentação no G100, grupo de brasileiros preocupados com o Brasil, a apresentação do economista Carlo Cauti deixou os partícipes entre aflitos e aterrorizados. Mostrou que o déficit nominal anualizado somou R$ 1,027 trilhão, ao analisar números da trajetória mensal do resultado nominal do setor público, até novembro de 2025.

A dívida bruta do País subiu para 79% do PIB no mesmo novembro do ano passado, embora já tenha atingido 87,7 % em outubro de 2020. A dívida pública subiu e chegou a R$ 8,64 trilhões em janeiro de 2026. O gasto com juro da dívida subiu para R$ 981,9 bilhões em doze meses. As contas públicas tiveram déficit primário de R$ 33,2 bilhões em um ano. E as estatais federais tiveram déficit de R$ 8,9 bilhões no ano passado.

Como explicar que a arrecadação federal em janeiro de 2026 tenha sido a maior da série histórica, atingindo R$ 325,8 bilhões? Seria resultado da situação geopolítica global, que fez com que o capital internacional inflasse a Bovespa e o dólar atingisse a sua menor cotação?

Ocorre que tal situação da redação aparentemente favorável ao Brasil não é duradoura. Aqui, o seguro desemprego cresceu, mesmo com o mercado aquecido. A Bolsa Família registrou uma evolução impressionante: de 2 bilhões de reais em 2003, registrou em vinte anos um aumento de 86%, chegando à fantástica cifra de R$ 173 bilhões. Cresceu também o valor remédio recebido por família: de R$ 286 em 2003, para R$ 699 em 2023.

O número de famílias beneficiadas passou de quatro milhões em 2003, para vinte e um milhões em 2023. De igual forma, os BPC – Benefícios de Prestação Continuada, chegaram a 125 bilhões em doze meses. E a carga tributária brasileira superou 32,3% do PIB e alcançou o maior patamar já registrado.

Será que a economia brasileira pode se considerar saudável? Será que um assistencialismo sem o compromisso de resgatar a dignidade do assistido é o melhor projeto de edificação de uma Pátria justa, fraterna e solidária? Qual a explicação para o êxodo industrial que deixa o Brasil e vai sediar suas empresas no Paraguai?

Não sou economista. Mas gostaria de que eles, como conhecedores especializados da situação econômicofinanceira tupiniquim, me explicassem se tudo isso nos deve deixar apenas preocupados ou realmente aterrorizados.


Siga nas Redes:
Continua após a publicidade!
Clic101
© Copyright 2025 - CliC101 - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por: Welisvelton Cabral