CARNAVAL DE SALVADOR
Irreverência e protesto marcam passagem da “Mudança do Garcia” nesta segunda de Carnaval

A tradicional Mudança do Garcia voltou a tomar o centro de Salvador nesta segunda-feira de Carnaval, misturando irreverência, crítica social e muito bom humor. O cortejo, conhecido por dar voz às reivindicações populares, reuniu foliões fantasiados e cartazes que ironizavam a política e cobravam melhorias para a cidade.
Entre batuques e paródias, o desfile reafirmou seu papel histórico como espaço de protesto e resistência cultural, mantendo viva a tradição de transformar o Carnaval em palco de cidadania.

Este ano, a festa também prestou homenagem ao sambista Riachão, figura emblemática da música baiana, que dá nome ao circuito Garcia–Campo Grande. A lembrança reforçou o elo entre a irreverência da Mudança e a força cultural de artistas que marcaram a história da cidade.
Com bom humor e ao som das fanfarras, bem como pelas ruas estreitas, as fantasias ganham vida, além dos cartazes criativos despertando risos, mas também reflexões. No coração do bairro do Garcia, a segunda-feira de Carnaval tem um sabor único. A Mudança do Garcia, uma das manifestações mais tradicionais da folia soteropolitana, voltou a reunir moradores, turistas e foliões em um cortejo marcado pela irreverência, pela crítica social e por um forte sentimento de pertencimento
Com identidade própria, a Mudança do Garcia, é uma das manifestações mais antigas da folia soteropolitana. Este ano, o bloco contou com a cessão de dois mini trios elétricos, garantindo estrutura sonora e apoio logístico sem descaracterizar a essência histórica da manifestação.
A Mudança do Garcia foi criada na década de 1920. O bloco, que começou como um movimento popular, se tornou um espaço de crítica social e resistência. É uma das manifestações mais tradicionais do Carnaval de Salvador e conta com a participação de artistas e a população, presença de trinta e dois mil trabalhadores, refletindo a força do povo baiano e a importância da tradição, bem como não tem cordas separando o público. O trio avança devagar, e o povo ocupa os espaços com liberdade.