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GOLPES DIGITAIS

Golpes digitais avançam e expõem baianos e brasileiros a bilhões de fraudes

Um levantamento divulgado nesta semana pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) estima que o Brasil tenha registrado cerca de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026
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Por: TRBN / Hieros Vasconcelos | Pub.: 12/08/2026 09:43 | Atual.:12/08/2026 09:47
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Em Salvador, a cena se repete com frequência: a mensagem no WhatsApp dizendo ser um filho que trocou de telefone, o pedido urgente de dinheiro feito em nome de um parente ou a ligação de um suposto funcionário do banco alertando sobre movimentação suspeita na conta. No interior da Bahia, relatos semelhantes circulam diariamente entre famílias, vizinhos e grupos de mensagens. Embora não existam dados regionais consolidados sobre o tamanho dessas fraudes no estado, autoridades e especialistas afirmam que os golpes digitais já fazem parte da rotina dos baianos e dos brasileiros.

Um levantamento divulgado nesta semana pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) estima que o Brasil tenha registrado cerca de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o equivalente a 201,6 abordagens fraudulentas por adulto no período. O estudo mostra ainda que 81% dos brasileiros tiveram contato com tentativas de golpe e que 39% chegaram a interagir com criminosos.

A presença desse mercado criminoso na Bahia ficou evidente em maio deste ano, quando o Ministério Público da Bahia deflagrou, em Salvador, a Operação Farsa Digital. A investigação apura um esquema de coleta e venda de dados sigilosos obtidos por meio de invasões a sistemas eletrônicos. Durante a ação, realizada no bairro de Nova Brasília, foram apreendidos celulares, computadores e mídias digitais que agora passam por perícia.

Como atuavam

Segundo o MP-BA, os investigados teriam comercializado logins de acesso, informações bancárias, registros governamentais, dados de reconhecimento facial e até dados policiais. O material apreendido pode indicar a existência de uma rede estruturada de compradores e intermediários, ampliando o alcance da investigação para além da Bahia. Para especialistas, o caso demonstra como informações pessoais passaram a ser tratadas como mercadoria no mercado clandestino, alimentando fraudes financeiras e outros crimes digitais.

A diretora do capítulo brasileiro da GASA, Renata Salvini, afirma que o dado mais alarmante é a repetição das fraudes sobre as mesmas pessoas. Segundo o estudo, 34% das vítimas perderam dinheiro mais de uma vez em apenas 12 meses, evidenciando um ciclo de vulnerabilidade contínua. “Os golpes digitais passaram a fazer parte da rotina. O fato de um terço das pessoas ter perdido dinheiro mais de uma vez em um intervalo de 12 meses é especialmente preocupante, porque destaca um ciclo de vulnerabilidade encorajado pelos criminosos. Isso reforça a necessidade de prevenção, educação e resposta rápida, com atuação coordenada entre empresas, plataformas, instituições financeiras, autoridades e sociedade civil”, diz Salvini.

De acordo com a Polícia Civil da Bahia, fraudes bancárias, golpes via WhatsApp, falsas vendas pela internet e clonagem de contas estão entre as ocorrências mais frequentes registradas pelas unidades especializadas da capital e do interior. Segundo a corporação, as investigações

se concentram no rastreamento de transferências bancárias e Pix, identificação de contas utilizadas por golpistas e cooperação com instituições financeiras para tentativa de bloqueio de valores desviados. A orientação, conforme a instituição, é que a vítima preserve comprovantes, conversas, números de telefone, e-mails e links recebidos e registre imediatamente ocorrência policial para aumentar as chances de recuperação do dinheiro.

O relatório da Global Anti-Scam Alliance (GASA), revela a velocidade com que as fraudes se concretizam. Em 42% dos casos, o dinheiro foi subtraído em questão de minutos ou poucas horas, reduzindo drasticamente as chances de bloqueio ou recuperação dos valores. Os golpes mais frequentes no país são os relacionados a compras online (22%), promessas de dinheiro inesperado (17%) e falsas vagas de emprego (17%). O telefone e os aplicativos de mensagens seguem como principais canais de disseminação das fraudes, responsáveis por 71% das ocorrências. Entre as plataformas citadas pelas vítimas, o WhatsApp aparece em primeiro lugar (64%), seguido por Gmail (32%) e Instagram (22%).

Consolidação do PIX ampliou a exposição da população a golpes e fraudes

A consolidação do Pix como principal meio de pagamento do país também ampliou a exposição da população. Criado em novembro de 2020, o sistema movimentou R$ 26,4 trilhões em 2024. Ao mesmo tempo, tornou-se alvo preferencial de criminosos. Levantamento da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) aponta que o Brasil registrou 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix entre janeiro e setembro de 2025.

Embora não haja dados regionais consolidados, especialistas observam que estados populosos como a Bahia e capitais como Salvador apresentam grande potencial de incidência dessas fraudes devido ao elevado volume de transações digitais. Segundo a ADDP, mais da metade das vítimas está concentrada em faixas etárias acima dos 50 anos, grupo que, em média, possui menor familiaridade com ferramentas digitais e acaba mais vulnerável a abordagens que exploram medo, urgência ou autoridade.

O presidente da entidade, Francisco Gomes Junior, defende atuação conjunta do poder público, das plataformas digitais e das instituições financeiras. “É preciso reduzir anúncios fraudulentos nas redes sociais, ampliar investimentos em cibersegurança e fortalecer campanhas de educação digital em rádio, TV e mídias populares, alcançando públicos que normalmente não acessam conteúdos longos na internet”, afirma.

Para ele, o primeiro passo diante de uma abordagem suspeita é justamente desacelerar. “Quando alguém pede uma transferência urgente, a recomendação é interromper a conversa, ligar para a pessoa por um número conhecido e confirmar a informação antes de qualquer pagamento”, orienta.


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